ANAF e Abrafut criticam punição do STJD e afirmam que decisões foram tratadas de forma desproporcional em comparação às sanções dos dirigentes

A decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) de suspender por 40 dias o árbitro Ramon Abatti Abel e o VAR Ilbert Estevam da Silva após São Paulo x Palmeiras gerou reação das entidades da arbitragem brasileira.

A Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (ANAF) e a Associação de Árbitros de Futebol do Brasil (Abrafut) divulgaram notas oficiais repudiando a punição, considerada desproporcional e prejudicial à categoria.

Ambos foram enquadrados no Artigo 259 do CBJD. A punição decorre, principalmente, da não marcação de um pênalti de Allan em Tapia quando o São Paulo ainda vencia por 2 a 0. O Palmeiras virou o jogo e venceu por 3 a 2.

Associações acusam STJD de critérios desiguais

As entidades destacaram a disparidade entre o rigor aplicado aos árbitros e as punições dirigidas a dirigentes tricolores — Carlos Belmonte e Rui Costa — que foram apenas advertidos após ofensas relatadas em súmula.

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Para ANAF e Abrafut, essa diferença representa tratamento injusto, além de enfraquecer a autoridade da arbitragem. Tanto ANAF quanto Abrafut argumentam que divergências interpretativas não configuram infração disciplinar.

Ramon Abatti Abel durante a preparação para os árbitros Série A - Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Ramon Abatti Abel durante a preparação para os árbitros Série A - Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Abrafut denuncia “ambiente hostil” e ANAF “precedente perigoso”

Em nota contundente, a Abrafut afirmou que a punição expõe a arbitragem a constrangimento público e cria um ambiente hostil. A entidade defendeu que erros devem ser corrigidos via treinamentos e avaliações internas.

A ANAF reforçou que punir árbitros por decisões interpretativas abre um precedente preocupante para a categoria. Na visão da entidade, a forma correta é por meio da Comissão de Arbitragem,avaliações internas e formação contínua.